Mac DeMarco faz show com cerveja, cigarro, stand-up comedy e 'zoa' Red

24/03/2018

O cara já entrou com numa long neck de cerveja na mão e terminou dando goladas num destilado irlandês (direto da garrafa). Entre uma coisa e outra, dois cigarros, muita "zuêra" (no bom sentido) com o Red Hot Hot Chili Peppers e um som despojado, indie e agradável.

Mac DeMarco, o fanfarrão hipster doidinho, fez um show divertido. Funcionou bem como alternativo e alternativa à banda que era a principal atração desta sexta-feira (23) no Lollapalooza e tocava na mesma hora.

A inusitada apresentação do cantor e guitarrista canadense no palco Axe (o terceiro em importância do festival) teve:

  • a maior concentração de bonés (o próprio artista ama o adereço) e gorrinhos hipster de todo o Lolla
  • "tiração" com o Chili Peppers (a piada com o riff de "Give it away" foi repetida tantas vezes que perdeu a graça, um pouco)
  • mas também um trechinho de "Can't stop" e o cover final de "Under the bridge", agora na íntegra, em versão maluca cantada pelo baterista e com DeMarco na bateria
  • elogios recorrentes de DeMarco ao tradicional sanduíche de pernil do bar Estadão, no centro de São Paulo (é sério, acredite, ele chegou a fazer um freestyle incluindo os termos nos versos)
  • voltas olímpicas no palco, seguidas de uma tentativa de plantar bananeira, seguida de um cigarrinho, para mostrar afinal que ninguém ali era atleta

Ah, sim, e na banda do Mac DeMarco, os demais integrantes têm direito a um momento Derico. O baterista, por exemplo, chamou a noiva dele par ao palco. Disse que é a primeira vez do casal em São Paulo. Que bom.

Mas e o som? Mac DeMarco começa meio de freio de mão puxado, quando a postura e as gracinhas sobressaem.

Mas na segunda metade do show ele mostra que sabe agradar a galera indie com uma sonoridade calculadamente simples e honesta.

Músicas como "Ode to Viceroy" tiveram um corinho empolgado do povo (nem tão numeroso assim) que tinha fugido do Chili Peppers. "Brother", em versão meio emocionada meio irônica, levantou mãoszinhas para acima.

"Freaking out the neighborhood" e seu ótimo refrão com berros insanos do DeMarco foi excelente. A parte boa teve outras que os fãs adoram, como "My kind of woman" (teve gente emocionada; de novo, poucos) e "Chamber of reflection".

Nesta última, Mac DeMarco deu uma golada em seu destilado e derrubou o microfone, fazendo um estalo. Prioridades, enfim.

Para fechar, "Still together", a tal do improviso com "Estadão" (ele fala algo como "estadáo") e "pernil sandwich".

Mas ainda faltava o número derradeiro. DeMarco e seu baterista inverteram as posições, e o coadjuvante foi lá cantar "Under the bridge".

Na hora de assumir as baquetas, registre-se que o canadense tocou a introdução com uma mão apenas, porque segurava a garrafa companheira de todas as horas com a outra.

O povo cantou tudinho do hit do Chili Peppers (meio a sério, meio rindo), com direito a mergulho do novo "vocalista" no público e bandeira do Brasil enrolada no pescoço.

O show, então, acaba. Luzes se apagaram. DeMarco volta ao palco em seguida. Haveria bis? Geral gritava pedindo "mais um!". Mas ele só tinha vindo buscar o boné. E mostrar a barriga.

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